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Metamúsica - A face oculta da música

A Metamúsica, que podemos definir como “o poder oculto da música”, induz a uma série de mudanças que produzem transformações saudáveis nas pessoas que as escutam. Estas transformações se devem ao fato que o cérebro somente escuta certas frequências, porém há outros sons que o ouvido humano não percebe conscientemente.
O cérebro os percebe, assimila e integra para estabelecer um equilíbrio entre os dois tipos de sons – audíveis e inaudíveis. Este processo leva a um trabalho equilibrado dos dois hemisférios cerebrais, algo esencial para elevar o processo consciencial. Talvez seja na Índia onde se chegou ao maior grau de uma ciência exata neste assunto, pois ali este tema levou a roupagem da “Ciência dos Mantras”.
Não é exagerado dizer que a investigação do som foi talvez a parte mais importante do estudo dos antigos sábios da Índia. Com fervor e paixão pela verdade, estes antigos cientistas repetiram o mesmo experimento dia após dia. Para cegar às suas conclusões, observaram a si mesmos; meditaram no Ser Interno e observaram o Ser atuando nos diferentes níveis de conciência.
Na região noroeste da Índia temos o Shaivismo Kashmir, uma filosofia monoteísta que tem por princípio básico a idéia de que o universo inteiro não é mais que uma “energia consciente”, sendo tudo que existe esta conciência expressa de distintas formas. A palavra Shaivismo se deriva de Shiva, que significa Realidade Última. Seu principal texto, os Shiva-Sutras, foi revelado e escudado em Kashmir e por isso se denomina Shaivismo Kashmir. Este sistema também de conhece como a Filosofia Trika, porque está baseado nos três princípios de Deus, Espírito e Matéria.
Os Shaivistas Kashmir descobriram que o universo surge de um som totalmente sutil que dá origem a todas as demais vibrações. De certo modo, existe uma hierarquia do som e poderíamos falar da descida do som desde o mais sutil, mais impalpável, até o mais denso e mais palpável. Entretanto, diferentemente de outras hierarquias, não há separação entre níveis. O mais sutil engloba o mais denso. O ser humano mais bruto, mais despreparado espiritualmente, normalmente é consciente apenas dos níveis vibracionais mais grosseiros. Dessa maneira, a melodia de um simples violino desaparece frente ao estrondo de um trem. Assim, o conhecimento do som mais sutil, da vibração mais elevada, se perde para a consciência distraída de uma mente despreparada.
A descoberta dos estudiosos Shaivistas de que a matéria procede da vibração está apoiada nas grandes descobertas da ciência oficial. Os físicos quânticos continuam encontrando provas de que não há um mundo físico substantivo. A Teoria Especial da Relatividade, por exemplo, afirma que a energia e a massa são na realidade vibrações da mesma coisa. A física quântica se vê obrigada a concluir que tudo é uma forma de energia, isto é, que as chamadas “partículas sólidas” que compõem nosso mundo são formadas pela intersecção de “ondas de energia”.
O grande filósofo grego Pitágoras também falava do papel cósmico do som:
“Cada Corpo celestial e de fato cada átomo produz um som particular devido ao seu movimento, seu ritmo e sua vibração. Todos os sons e vibrações formam uma harmonia universal na qual cada elemento, mantendo sua própria vibração e características, contribui para o conjunto.”
E naturalmente os grandes músicos de todas as épocas conheceram e escreveram sobre a naturaza transcendental do som e sobre seu poder para transportar o ouvinte a um “estado divino”. Beethoven afirmava de sua própria música que:
“Nenhum mal pode tocar minha música. Aquele que adivinha seu segredo fica livre da desdita que acossa o mundo dos homens.”
Inspirado na profunda admiração que tenho por Sivananda, cujos tratados sobre a ciência da meditação iluminam minha prática diária de meditação, transcreverei a seguir a inspirada visão deste sábio indiano sobre o poder oculto da música ou Metamúsica:
“A música é uma ajuda para o tratamento das enfermidades. A música tem um poder extraordinário sobre as doenças. O ritmo harmonioso causado pela música doce tem propriedade atrativa. Expele a enfermidade. A doença sai ao encontro da onda musical. Ambas se mesclam e desaparecem no espaço.
A música cativa a mente, elevando-a às sublimes alturas do esplendor divino. A música provoca o Laya ou dissolução da mente em Brahman ou Absoluto. Harmônio, vina, cítara, sanghi, dilruba, violino, swaramanda, harpa e outros são as diversas classes de instrumentos musicais que expressam os diversos sons que ajudam no processo de Laya.”
Por esses vários exemplos nas distintas culturas e épocas, vemos que a música tem um aspecto exterior e um interior, com seus sons audíveis e inaudíveis. Para que a música seja uma experiência holística os dois tipos de sons devem ser ouvidos. A música também tem sua paisagem interior, que toca nossas faculdades extra-sensoriais. As sete subdivisões da Metamúsica, cada uma com objetivos específicos, são: Etérica, Zodiacal , Espacial, Iniciática, Meditativa, Logóica e Do Coração do Espírito: Esta é a Metamúsica, a face oculta da música

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